terça-feira, 8 de maio de 2012

[Sociologia] Goffman e a Representação do Eu na vida cotidiana


Erving Goffman (Mannville, Alberta, 11 de Junho de 1922 – Filadélfia, 19 de Novembro de 1982) foi um cientista social e escritor canadense. Estudou nas universidades de Toronto (B.A. em 1945) e de Chicago (M.A. em 1949, Ph.D. em 1953). Na Universidade de Chicago, estudou Sociologia e Antropologia Social. Em 1958, passou a integrar o corpo docente da Universidade da Califórnia em Berkeley, tendo sido promovido a Professor Titular em 1962. Ingressou na Universidade da Pensilvânia em 1968, onde foi professor de Antropologia e Sociologia. Em 1977, obteve a Guggenheim Fellowship (Bolsas para aqueles "que têm demonstrado capacidade excepcional para a bolsa produtivo ou excepcional habilidade criativa nas artes."). Foi presidente da Sociedade Americana de Sociologia, em 1981-1982. Efetuou pesquisas na linha da sociologia interpretativa e cultural, iniciada por Max Weber.

Erving Goffman em "A Representação do Eu na vida Cotidiana" aborda as interações sociais entre indivíduos, entretanto, ele foca numa “micro-interação”, ou seja, naquela que se caracteriza entre um pequeno grupo num dado momento e num determinado espaço. Para ele, a informação sobre um indivíduo possibilita o conhecimento prévio do que se pode esperar dele, e o que ele espera dos demais. Se o indivíduo for desconhecido, tal informação se baseará na sua conduta e aparência, de acordo com experiências prévias com o mesmo estereotipo.  

No jogo da interação, o indivíduo deverá expressar a si mesmo e impressionar os observadores. Sua expressão envolve duas atividades: 1. Expressão transmitida; 2. Expressão emitida; Será do interesse do indivíduo regular a conduta dos outros, independentemente de seu objetivo na relação ou das razões para isto. Das duas formas de comunicação (expressão transmitida e emitida) o autor se focará na expressão emitida, de natureza não verbal, seja ela intencional ou não. Para Goffman, o indivíduo influencia o modo que os outros o verão pelas suas ações. Por vezes, agirá de forma teatral para dar uma determinada impressão para obter dos observadores respostas que lhe interesse, mas outras vezes poderá também estar atuando sem ter consciência disto. Muitas vezes na será ele que moldará seu comportamento, e sim seu grupo social ou tradição na qual pertença. 

A partir da ação dos outros, vinculada a impressão dada pela ação do indivíduo, pode-se obter uma visão funcional ou pragmática da interação, e também considerar que o indivíduo provocou uma definição da situação e sua compreensão. Os observadores podem utilizar os aspectos fora do controle do indivíduo para legitimar os aspectos controláveis pelo mesmo. Percebe-se desta maneira uma assimetria na comunicação, onde o indivíduo só tem consciência de um aspecto da sua expressividade, e o observador tem dos dois aspectos. Entretanto, tendo consciência disto, o indivíduo pode manipular suas expressões de modo a dissimular os observadores para que os mesmos utilizem destas expressões moldadas para validarem as informações transmitidas. Isso restabelece a simetria da comunicação e possibilita o jogo de informação e atuação. 

Na interação, o grupo espera que o indivíduo ignore seus sentimentos pessoais e expresse-se de maneira supostamente aceitável a todos. Com o progresso da interação, este estado inicial será somado a outras informações ou modificado, desde que não seja de forma contraditória. Quando esta impressão inicial pertence a uma longa série de interações, fala-se em “começar com o pé direito”. Podemos supor que certos fatos cometidos pelo indivíduo contradigam esta posição inicial, ou que lance dúvida sobre o mesmo, isso poderia provocar uma confusão ou constrangimento na interação. Consequentemente, os observadores podem tomar uma postura hostil sob o indivíduo que se contradize, ou deixá-los embaraçados. O que provocaria uma anomia devido ao colapso gerado nesta interação social. Atribuindo-se características específicas deste posicionamento inicial, não se poderia deixar de inserir elementos distintos nas definições projetadas em situações posteriores, e é deste aspecto “moral” das projeções que Goffman se ocupará principalmente. 

Goffman, afirma que a sociedade se organiza baseando-se no fato de que um indivíduo possuindo certas características sociais deve moralmente ser valorizado, e consequentemente, o indivíduo que possua (ou simule) tais características deve ser de fato o que expressa. Entretanto, o indivíduo que possui tais características exerce uma exigência moral sobre os outros de modo que devam tratá-lo e valorizá-lo de acordo com tais características. O autor acredita que existam práticas preventivas para que estas rupturas não ocorram, e práticas corretivas para diminuir os efeitos das contradições que não foram evitadas. Quando o indivíduo tenta conservar a definição da situação projetada por outro, conceitualmente esta se falando de “diplomacia”. Quando se soma as práticas defensivas (das projeções) com a diplomacia, forma-se uma ferramenta para conservação da impressão emitida por um indivíduo perante outros. 

5 comentários:

Larissa disse...

Gostei da temática do blog.

Guru do Metal disse...

não conhecia esse cara

Blogueira disse...

Literatura, ôba!!! rs

João Alexandre Rodrigues disse...

Interessante!!!

Lucas Adonai disse...

Maravilha!